terça-feira, 28 de julho de 2015

Da Série "O Sangue Derramado": EXISTEM COISAS TÃO ESTÚPIDAS, QUE NÃO MERECEM MENÇÃO

            - Boa noite, Arcádia Paulista! – ao microfone, berrou o rouco mestre de cerimônia. – Para os poucos que não sabem, eu sou o Sábio Seixas – sob a forte luz de vários holofotes, prosseguiu, sem notar que promovia uma revoada de perdigotos. – Sim! O polêmico apresentador do programa “Sociedade Alternativa”, da Rádio Acádia FM – para uma praça apinhada de pessoas continuou. – E, nesse... – porém, parou para tirar seu chapéu Panamá e, com a encardida manga de sua camisa branca, enxugar o que podia do suor que lhe escoria pela ensebada careca. – Bem... – e parou outra vez, dessa vez, para sacar do bolso do seu colete com motivos escoceses um relógio PW I Vintage e olhar a hora. – Às 8 horas desse dia 21 de agosto, tenho a honra de interromper os usos e costumes lisérgicos de vocês, para abrir mais esse evento, em memória do nosso querido Rauzito – e se deteve, a fim de calçar o chapéu. – Que, um dia, pela estrada de tijolos amarelos, se foi – e, após fazer a pantomima de um caminho a ser trilhado, limpou as suadas mãos no desbotado e encardido brim da calça que usava. – Mas deixou um rastro, com as “migalhas do seu saber”, para que (que Deus queira) o reencontremos.
           
            Quando, em um rito de evocação, a multidão que cercava o acanhado palco, em coro gritou: “Raul! Raul!”
           
            - O que ocorre, Howard? – indagou uma bela mulher, com traços anglo-saxões, que, ao olhar pela janela de um hidroavião Sikorsky S-38, sentiu suas retinas quase romperem, ao se confrontar com as luzes que cobriam a praça.
            - Nada, Kate. Só passamos por uma pequena turbulência.
            - Onde estamos?
            - Hollywood – respondeu o aviador, ao ver a bússola freneticamente girar.
           
            Quando a aeronave entrou em uma nuvem e desapareceu.
           
            Todavia, na Praça Francis Bacon, que tinha o formato de um perfeito círculo – pontuado por doze estátuas, que formavam uma circunferência imaginária, junto ao seu limite – a profusão humana se voltava para o leste. Vendo, além do palco, a catedral gótica que, do outro lado da rua, ao céu se elevava. E cujos sinos, desapercebidamente, dobravam fora de hora.
           
            Pois, no alto da torre, um corcunda alucinado, com toda força de que dispunha, empurrava as campânulas. Talvez, tentando quebrá-las. Já que ria, babava e gritava em um dialeto que só ele compreendia. E que poderia ser entendido como uma exteriorização da ira causada pelo fato de ter sido condenado pelo Deus cristão a pagar por um crime que, decerto, viria a cometer. Um pecado mortal, provavelmente. Já que, até esse dia e, possivelmente, após ele, teria de carregar a mais hedionda monstruosidade que a natureza podia impingir a um ser humano. E que reverberava, pelos meandros da sua parca lucidez, como uma injustiça. Dado que, em seu íntimo, não se considerava um membro de tal espécie.
           
            Doravante, o frio da noite fazia com que a fumaça de odor adocicado, que emergia do consumo indiscriminado de cigarros recheados com cânhamo, se dissipasse lentamente. Evolvendo, assim, a localidade em uma gigantesca e densa bruma branca.
           
            Ademais, no lado sudeste da praça, junto ao meio fio, estacionada estava uma Indian Chief Dark Horse preta. Cujo assento servia de suporte para um caldeirão de bruxa. Um recipiente que, em decorrência de um considerável desmazelo, tinha sua arcunferência enquadrada por incontáveis deformações e uma infinidade de arranhões, que uma desastrada demão de tinta negra e fosca só conseguia piorar.
            - Vamos, “mermão”! Vamos! A magia não pode esperar – tagarelava o indivíduo que mantinha o recipiente estabilizado sobre a moto e se trajava de Evel Knievel. Mas que, provavelmente, pensava, em função dos trejeitos contundentes e teatralmente ensaiados que executava, que vestido estava com alguma roupa pouco difundida do Elvis Presley.
            - Sem demora, “supermano” – se pronunciou o crioulo que se vestia como Jay Hawkins. Só conseguindo, porém, se parecer com uma versão africana do Salvador Dali. E que esvaziou a aguardente prata, de uma garrafa sem rótulo, no interior da vasilha.
            - Mais um toque disso, sua imitação de macumbeiro – falou, cuspindo na orelha do afro-ascendente, um sujeito que tinha o intento de imitar o Freddie Mercury. Mas que, devido ao bigode mal aparado, se parecia com um irmão bastardo do Charles Bronson. Ou o primo do Franco Nero. E que jogou todo o conteúdo de uma lata de Caracu no apresto. – E, agora, uma pitada de “câncer de pulmão” – completou, ao bater a cinza do cigarro que fumava sobre o preparo.
            - Não nos esqueçamos do principal – alertou a representação acidental de Evel Knievel, ao transformar o caldeirão em uma escarradeira, por meio de uma sonora cusparada.
            Sendo acompanhado pelo involuntário Bronson e o improvável Dali, que, devido à intensidade do feito, fez com que um respingo manchasse o traje de “Knievel”.
            - Cuidado, seu preto de bosta! – bronqueou o cujo.
            - Foi mal! – sem demonstrar arrependimento, o desastrado se desculpou.
            - Falta um pouco de “delírio de esquizofrênico” – falou o Bronson, ao jogar três comprimidos de LSD na mistura.
            Sem mais, o sujeito – que, por ser parrudo, manifestava a intenção de retratar o Elvis em sua pior fase – deu uma pernada em um vira-lata que se entretinha com um pedaço de madeira, e que, por isso, latiu em protesto. Então, lhe tomou o beque e com ele, morosamente, diluiu a droga no líquido, que tinha um aspecto de chorume. E, posteriormente, arremessou o porrete contra o cachorro que, se fosse menos covarde, teria lhe cravado os dentes na panturrilha. Mas que apenas se limitou a cheirar o naco de pau, espirrar e ir embora.
            - Pronto? – perguntou o “Mercury”.
            - Joia!
            - Vamos buscar um porquinho da Índia – sugeriu o negro.
            - Caldeirão do Raul! – berrou o dublê de homem proeza, ao se erguer, erguendo o recipiente como um troféu, e se embrenhar no meio da turba, em companhia dos demais.
           
            Enquanto isso, sobre o palco, onde, então, estavam alguns instrumentos, só imperava a grande bandeira negra, que servia de pano de fundo. Em que havia o desenho branco e meio gasto de uma versão da cruz ansata. Que fora transformada em uma chave, devido ao acréscimo de dois dentes em sua extremidade inferior. E que, assim, servia de logomarca para a “egrégora” que Raul Seixas criara e batizara de Sociedade Alternativa.
            Quando, se deslocando por meio de piruetas, cambalhotas e barulhentos saltos mortais, surgiu um arlequim. Que pulou para um lado, para o outro e parou no centro do tablado. Junto a um pedestal, onde, ao microfone, em falsete, se apresentou:
            - Boa noite! Eu sou o Palhaço Cósmico! Ou... O anfitrião da alegria! E... – com uma breve espiada a sua volta, viu que os músicos, que estavam como ele trajados, se dividiram entre uma guitarra craviola, um baixo de seis cordas, um órgão eletrônico e uma bateria acústica. Então, olhou para frente e alardeou: - E esses são dos “Fugitivos de Sodoma”!
           
            Então, diante de um delírio traduzido sob as formas de assobios, aplausos e até algumas suaves ofensas, o espetáculo se iniciou por meio de uma interpretação, cheia de liberdades e libertinagens poéticas, da canção “Carimbador Maluco”.
           
            - Bia! Bia! – enquanto se desvencilhava da aglomeração, chamava uma moça pálida, coberta de couro negro e que, por conta do penteado em estilo colmeia, lembrava uma Peggy Bundy de cabelos pretos.
            - Fala, Beatriz – respondeu uma adolescente que, a despeito dos cabelos soltos, era uma versão (mais fresca) da outra.
            - Promete para mim que, após a “muvuca”, você vai direto para casa?
            - Prometo – sem muita convicção e com um tom tomado de blasé, jurou a cuja.
            - Por favor, irmãzinha – disse Beatriz, que a abraçou de lado, com o fim de que seus lábios quase tocassem na orelha dela, e, com um apelo maternal, emendou –, não fica de putaria até tarde.
            - Eu não sou puta.
            - Não seja.
            - Eu vou para casa.
            - Eu te amo.
            - Também te amo.
            E, então, Beatriz deu um beijo na cabeça de Bia, soltou-a, se virou e se desfez entre as pessoas.
            - E aí, Bianca? A “empata foda” descobriu que você não é virgem? – questionou um sujeito alto, com uma fisionomia árabe e um pouco obeso. Que se vestia com uma calça jeans, um moletom azul-marinho, que tinha um número 9 em verde sobre o peito, e um pesado capote de couro preto.
            - Já te disse para não falar assim da minha irmã – a emburrada Bianca bronqueou.
            Quando, com um bote certeiro, o roliço matreiro a segurou pelo pescoço e, sob o olhar apreensivo de algumas testemunhas, apertou-o até fazê-la, por segundos, sonhar.
            - Elimina ela, Ali – com uma voz fina, falha e fanha falou um sujeito magrelo, nanico e que, entre intervalos irregulares, era acometido por incontroláveis “estrimiliques’.
            - Fica na sua, Chernobil – ordenou Ali que, com um “chacoalhão”, a fez acordar.
            - Ali... – rumorejou a coitada.
            - Quem te deu autoridade para me admoestar? – indagou o cujo, ao mantê-la em condição de esganadura, quando se utilizou da força do seu braço para fazer da sua mão o contraponto entre o peso dela e a gravidade.
            Contudo, Bianca respondeu com o silêncio.
            - Hein?! – ele insistiu, dado que detestava se comunicar por indução ou algo que se aproximasse de uma telepatia, e voltou a empregar sua energia contra a saúde dela.
            - Ninguém – com o pouco ar que suas cordas vocais podiam utilizar, ela, enfim, respondeu.
            - Não escutei – e, desta vez, só por maldade, a fez sentir mais dor do que sabia que ela podia suportar.
            - Ninguém, Ali – com a pele enrubescida, os olhos lacrimosos e as veias da testa infladas, ela repetiu com toda ênfase que pode.
            - Ótimo – e a soltou.
            - Desculpa, Ali – Bianca completou, antes de se recompor.
            - Na próxima: eu mato você, a sua irmã e a sua mãe. Mas violo as três, antes. Uma na frente da outra... Só para você ir desta para outra sabendo que eu não sou de brincadeira.
            - Demonstre gratidão, sua vadia – de dentro das roupas que, em função do tamanho, pareciam derreter, Chernobil aconselhou-a. – Que o Ali é o seu segundo pai.
            - Menos, Chernobil – ordenou Ali.
            - Que quando ele deixou de te matar, você nasceu de novo – prosseguiu, com o seu parco entendimento da vida, a infeliz criatura.
            - Obrigada, Ali – a fim de evitar um novo desentendimento, Bianca agradeceu.
            - Isso mesmo, sua prostituta – gaguejando em todos os “tes”, que encontrou durante a pronúncia, Chernobil comemorou.
            - Tá com o pintinho duro, Chernobil? – indagou Ali.
            - “Durinho da Silva”, Ali
            - Leve a Bianca para a Kombi e faça amor com ela.
            - Com o Chernobil, não! Por favor... – implorou a cuja.
            - Cala a boca! – ordenou Ali.
            - Obedece! – auxiliou o amigo.
            - Não quero encontrar um pingo de sêmen no piso da Kombi. Certo, Chernobil?
            - Pode deixar, Ali.
            - Muito bom.
            - Chernobil pode brincar com a bundinha dessa vadia, dessa vez, Ali?
            - Você não tem experiência para tanto, meu pequeno amigo. Mas um dia terá.
            - Obrigado, Ali – e, sem mais, Chernobil tomou Bianca pelo braço e a arrastou para o meio do populacho.
            Quando Ali se lembrou de que foi fumante ao procurar, inutilmente, nos bolsos, por um cigarro perdido.
            - E aí, Ali?! – perguntou um sujeito alto, magro e grisalho, que se aproximou do cujo.
            - Zé Túlio, seu pilantra! – bradou alegremente Ali que, com um breve abraço, saudou o velho amigo. – Por que você não passou mais lá em casa?
            - Sua filha está de mal comigo.
            - Qual o inconveniente?
            - Eu fui dar uma “fuça” no rabinho dela, e ela me recriminou – e, a imitando com um tom ridicularmente efeminado de voz, continuou –: “Aqui, não! Tá de dodói!”
            - Vai procurar a filha da sua avó, seu velho veado.
            - Relaxa, Ali – falou, arreganhando os dentes grandes e amarelos, que combinavam com o abrigo esportivo azul que trajava.
            - Não perturba – alertou Ali. – Não perturba, que eu não tô bom.
            - Poderia ser pior... Poderia ser o seu filho – e gargalhou.
            - Para de graça.
            - Qual é? Não foi você que me deu a filha, para que eu a desvirginasse?
            - E, por isso, você pensa que a minha casa virou um bordel?
            - Bem, até aí, você há de convir comigo que, depois que a sua mulher fugiu com o padeiro, o ambiente melhorou.
            - Puta que o pariu...
            - Cadê a panela do Raul?
            - Você vai beber daquela merda?
            - Só um golinho?
            - Um golinho? Por acaso você está apaixonado?
            - O que você acha?
            - Acho que uma infeliz será violada.
            - Não seja drástico.
            - Pelo jeito, você “pirou na peteca”.
            - E daí?
            - Eu te conheço, pilantra.
            - Que você conhece, o quê?
            - Você sempre foi um “perna de pau” no baralho.
            - Deixa de treta, Ali.
            - Desde que você era moleque, Zé Túlio, você faz a mesma coisa: antes de cagar, peida como se fosse um porco.
            - Todo mundo peida.
            - Metade da camada de ozônio, você destruiu sozinho.
            - Vai ficar fiscalizando o meu intestino, agora?
            - Só vou te dizer uma coisa: desde os quinze anos, sempre que você caga, quem acaba limpando o seu rabo sou eu.
            - Não quero que você me tenha como um cidadão autodepreciativo. Mas você há de convir comigo que você tem um péssimo gosto para amigos.
            - Olha, cara... Para você beber dessa merda... É que você deve estar atrás de uma bunda imensa. Uma bunda fodida.
            - Uma bunda para ser fodida.
            - Daquela que cabe outro cu e, ainda, sobra espaço.
            - Essa mesma – com o arregalar de seus olhos, cujo matiz que se perdia entre o azul e o acinzentado, e o entortar da boca que, em função do excesso de saliva, até brilhava, causando, assim, uma incômoda sensação de asco em seu amigo, ele, praticamente, rosnou.
            Quando o arremedo de Evel Knievel passou com o caldeirão.
            - Opa! – gritou Zé Túlio que, com a delicadeza de um troll, pelo braço, puxou-o.
            - Porra, Zé! – bronqueou o dito que, tentando se equilibrar, promoveu uma distribuição involuntária de pernadas. Das quais, uma acertou e quebrou o celular que estava no bolso de trás da calça jeans de uma morena bunduda. Que manifestou a sua insatisfação ao declinar uma infinidade de impropérios.
            - Dá um gole – disse Zé Túlio, ao tomar-lhe o caldeirão.
            - Toma... – disse o cujo, ao se espantar com a sede do elemento.
            - Pé no freio, pilantra – alertou Ali.
            Contudo, ele não se fiou na advertência do amigo e entornou a nefasta batida.
            - Ali – chamou “Knievel”.
            - Que é?
            - Avisa para ele, que tem mais gente no pedaço.
            - Caralho! – inicialmente, Ali esbravejou consigo próprio. – Zé! – posteriormente, com o amigo. – Devolve essa merda para esse idiota, antes que eu enfie essa panela no rabo dele.
            Ao que o tal, surpreendentemente, pareceu acatar. Já que se conteve. Recompondo-se, com um olhar inebriado, que lembrava Donald Sutherland. E, com alguma classe, ao colega entregou o caldeirão. Para, então, por meio de convulsões causadas por incontáveis golfadas, vomitar um líquido viscoso e amarronzado. Que, com mais relevância, molhou a morena bunduda.
            - Puta que o pariu! – exclamou a cuja, sem ter a intenção de ocultar a sua objeção ao fato de que não estava em uma de suas melhores noites.
            Ao passo que Zé Túlio se empenhava em espalhar descontentamento, ao claudicar para o lado em que seu nariz apontava.
            - Você a quer? – perguntou Ali, ao mostrar o recipiente para “Knievel”.
            - É evidente.
            Sem mais, Ali jogou o caldeirão contra o peito do outro. Vendo-o, em seguida, se estatelar sobre o piso branco de pedras portuguesas da praça. Já que “Knievel” ficou com os braços abertos; estarrecido pelo ocorrido. Enquanto a bebida de cor grená penetrava nas fissuras do couro branco que o cobria. Contudo, não amainando a raiva de Ali. Que, com tapas e pontapés, partiu para cima do algoz, abrindo uma clareira na multidão.
           
            - A Doutora Kretzulesco não se tardará – disse a asiática que, por causa da ocidentalização de alguns traços, se parecia com uma atriz pornô fantasiada de enfermeira. E que, com um caminhar cadenciado, em que, graciosamente, requebrava os quadris, rapidamente, deixou o quarto.
            Um quarto que, por uma questão de conforto, era pouco iluminado.
            - Seu filha da puta! – xingou Ali. Cuja fisionomia se alterara, em decorrência de uma ira, que o transtornou. Tanto que a costura que suturava seu supercílio inchado e roxo se afrouxou e um fio de sangue lhe escorreu pelo flanco esquerdo da face.
            - O que foi? – indagou Zé Túlio que, a esquerda do leito em que repousava, via crescer a sinistra figura do amigo.
            - Você não pode violar a médica.
            - Relaxa, Ali. Eu te garanto que o negócio será tão violento, que ela se apaixonará.
            - Essa mulher é uma instituição. Uma estátua, na Praça Francis Bacon, ela até tem.
            - E daí? Ela também tem boceta, como uma qualquer.
            - Você está em delírio.
            - Para de frescura, Ali. Que a primeira que estuprei, foi por incumbência sua. Ou já esqueceu? Esqueceu que ela me chegou com a cara toda arregaçada, de tanto que apanhou. Não tendo nem boca, para eu azucrinar. – e, se incomodando com uma repentina elevação de temperatura, jogou para o lado a manta que o cobria.
            - Não vou compactuar com isso.
            - Dá um tempo aí... Vai que sobra uma “rosquinha”...
            Ademais, com a cadência que, somada ao seu peso, fazia com que, como ventosas, os sulcos do seu solado de borracha aderissem ao piso de mármore de Carrara, Ali deixou o ambiente.
            “Veado”, com o fim de poupar energia, Zé Túlio se contentou em apenas pensar em proferir. E, por isso, pode se ater a fadiga que lhe turvava a vista. Visto que ela era prejudicada pelo véu de luz que se erguia, devido ao conflito entre o reflexo azul-claro da sua camisola com mangas japonesas e o tom apenumbrado que a decoração de madeira de jacarandá dava ao aposento. Fazendo-o, pausadamente, piscar. Para, então, quase sofrer um enfarto, ao ser acometido por uma sensação de choque, que fez com que seus músculos latejassem, ao ver-se sob o carismático olhar da Doutora Kretzulesco.
            - Assustado, Senhor Gutierrez? – perguntou a médica que, sob seu jaleco branco, tinha um aspecto angelical.
            - “Zé Túlio”, por favor – ele pediu, sem deixar de reparar que as madeixas lisas dela eram tigradas, por um jogo de faixas douradas e castanhas.
            - Como queira.
            - Grato.
            - Quando soube que o senhor, Senhor Zé Túlio, que é membro de uma de nossas famílias investidoras, estava enfermo, vim direto, ao seu auxílio.
            - Mais uma vez: grato.
            - Se a Cuddy, do “House”, tivesse tido a ideia de locar leitos privativos às grandes famílias de Princeton, não teria se digladiado com o Vogler.
            - As anuidades não são fáceis.
            - A privacidade de cada andar e o conforto de cada quarto não são vistos nem nos melhores hotéis do mundo.
            - A autoglorificação não é algo que se considere notável.
            - Se há uma boa nova e não há um arauto de plantão, não existe o que reprovável seja em um pouco de narcisismo.
            - Você não vê problema em se gabar de uma ação que qualquer “mané” poderia ter executado?
            - Eu sempre digo que é tão fácil como conveniente a democratização de qualquer possibilidade de sucesso. O que torna cruel a veracidade do fracasso. Logo, uma refeição sem tempero só satisfaz a quem não sabe comer.
            - Talvez você precise de uma segunda opinião, Doutora.
            - Aqui, eu sou a médica e você é o paciente... Por tanto, temos mais argumentos do que o necessário.
            - Já “trombei” com mulheres mais fortes do que você. E uma coisa que eu te asseguro, é que nenhuma delas era tão forte como supunha ser.
            - É que, nesse caso, você se baseia, única e exclusivamente, no seu ponto de vista. Que é distorcido por um conceito oblíquo do que é poder. Logo, carente de uma nova referência.
            - Você?
            - Tem mais alguém aqui?
            Quando, com um sorriso, Zé Túlio olhou para cima e, com a ponta dos dedos, puxou a camisola, liberando sua ereta genitália.
            -Excelente – a médica sussurrou, observando, obcecadamente, o pênis dele.
            - Gostou?
            - Existem coisas tão estúpidas, que não merecem menção – comentou, enquanto se deslocava para perto do órgão sexual de Zé Túlio.
            - O quê?! – como que ouvindo Leno e Lílian cantando “Coisinha Estúpida”, “encucadamente”, ele questionou.
            Quando, com a face deformada pelos caninos saliente, ela fez “nhoc”, ao avançar sobre o falo dele.



Luxúria de Vampiros
Um filme de Jimmy Sangster
(Inglaterra / 1971)




Todavia, há um ditado que afirma o seguinte: "a boa mulher é aquela que perdeu a virgindade e manteve a classe". Contudo, como é possível manter a "classe" se se cultua o axioma que prega que "o aspecto proveitoso da fidelidade é que ela comprova o quão prazerosa é a promiscuidade"?
Simples: criando uma sociedade paralela. Em que a distorção social transforma a fraqueza em virtude.
Assim, um grupo de misses embarcou em uma cruzada contra a real razão de seu fracasso: a competência alheia. E se deparou com o sucesso da incompetência: ou seja, o acaso.

 
A Quadrilha das Misses Assassinas*
(*disponível nas melhores bancas e livrarias)

http://www.clubedeautores.com.br/book/124263--A_Quadrilha_das_Misses_Assassinas

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A DESINIBIÇÃO DE UMA NUDISTA (O Ensaio de Veridiana Freitas Para a Playboy)

            Em 1967, sob a direção de Luis Buñuel, lançado foi “A Bela da Tarde”. Uma adaptação para o cinema de um homônimo romance que foi escrito por Joseph Kessel e cuja publicação se deu no ano de 1928. E que trazia Catherine Deneuve no papel de Séverine.
            Séverine que se refugia em um realidade alternativa, com o fim de se nutrir com os fragmentos daquilo que lhe falta na verdade vigente: o adultério.
            Dado que o substantivo “adultério” deriva do verbo “adulterar”. Que significa “corromper”. O que, numa análise heterodoxa, é a junção do prefixo “co” – partilha – com o radical “romper” – dividir. Ou seja, a ruptura do elo.
            Algo que, quando se trata de sexo, é muito significativo.
            Porém, o ideal é que uma pessoa que carregue essa carência a sane com alguém que compartilha do mesmo anseio. A fim de que a anormalidade não se torne corrente.
            Mas onde se encontra alguém que é adepto do “pega e não se apega”?
            Numa casa de tolerância, talvez.
            Onde, no caso, Séverine opta em atuar, sob a alcunha de “Bela da Tarde”.
            Não se tratando de uma ciência exata, porém.
            Já que, quando o cara tem a pica dura e a cabeça mole, a coisa gora.
            Quanto à mulher: está deveria se abster de tal empresa e se conformar com o fato de que o machismo é o meio mais eficaz para conter a sua propensão para fazer besteira.
            Mas que, doravante, serve de tema para inúmeras narrativas.
            Como a que o fotógrafo Fred Othero utilizou na edição de Nº 479 da Playboy de abril de 2015.
            Que, com aparente tranquilidade, o fez. Posto que apenas deu sequência aos trabalhos que efetuou com Nuelle Alves, em fevereiro de 2015, Natalia Inoue, em setembro de 2014, e Vanessa Mesquita, em julho de 2014.
            Um histórico que conferiu um amadurecimento estético ao ensaio.
            Em cujo cerne está Veridiana Freitas.
            A qual também tem história.
            Visto que ela foi uma das três estrelas do mês de janeiro de 2014.
            E, agora, incorpora a dona de casa portenha. Sim, a mulher que se confunde com a decoração do lar. Pois, dentre seus atributos, há um olhar languido. Do tipo que faz com que o cidadão que tem a cabeça dura e o pau mole se desespere.
            Todavia, ela se vale desse expediente para esfregar a sua ascendência brasileira na fuça da criadagem. Dado que se aproveita da ausência do seu esposo para desfilar pela bucólica fazenda em que mora, nas cercanias de Buenos Aires, com a desinibição de uma nudista.
            Como quando cavalga seminua; demonstrando o prazer que tem em ter um garanhão entre as pernas.
            Contudo, se enfastia de só ser currada com os olhos.
            Então, se guarda no recanto do seu domicílio. Com o fim de que seus grandes seios se enrubesçam a custa de cigarro e vinho. Enquanto, pelos pelos que lhe agasalham a vagina, se eleva um cheiro de cio. E, no interior da sua magnífica bunda, o ânus se dilata e contrai, na expectativa de que um “cabra” de cuca firme e pica rija lhe dê um beijo grego.
            Sem mais, no álbum “Abre Essas Pernas Ao Vivo”, de 2001, as Velhas Virgens interpretam a canção em que no refrão – do qual o último verso dá nome à mesma – há a seguinte recomendação: “Quem dá ajuda é pai / Quem faz caridade é monge / Não se meta a levá-la pra casa / Toda puta mora longe”.
            Por isso, tal qual Séverine, ela se mune de uma maleta e vai cumprir a sua sina, antes que a noite chegue. Com o fim de regressar e se limpar do bodum alheio, antes que seu marido se despeça dos afazeres profissionais. E, assim, não suspeite de que os deveres conjugais da sua esposa foram terceirizados.
            Doravante, ela vai ao Café de Garcia. Um pub situado no bairro de Vila Devoto, em Ciudad Autónoma – um distrito da capital argentina. Onde espera que nenhum cara de pica fraca e miolo mole lhe aporrinhe o pensamento.
            Entretanto, um cidadão – que independe do horário comercial para se suster e, provavelmente, faz sexo por esporte  – não tarda a lhe solicitar a atenção (para, no caso, perpetrar a manjada metáfora de uma dança de tango).
            E, enquanto o milongueiro se diverte, surge a seguinte questão: “Se, do trio que protagonizou o já mencionado ensaio, Fernanda Lacerda (como a Mendigata) reapareceu em outubro de 2014, e Veridiana Freitas aqui está, quando Aricia Silva ressurgirá?”



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