quarta-feira, 23 de março de 2016

Coluna SNACK BAR - O Lado B da Humanidade: NEUROMANCER, A MATRIZ DE MATRIX

            Em 1984, o autor norte-americano William Gibson publicou “Neuromancer”. O primeiro livro da sua afamada “Trilogia do Sprawl”. Ao qual se somam “Count Zero”, de 1986, e “Mona Lisa Overdrive”, de 1988. E que serviu de matéria-prima para outra tríade. Uma franquia cinematográfica em que cada película foi dirigida pelos irmãos Wachowski. Com “Matrix”, em 1999, “Matrix Reloaded”, em 2003, e “Matrix Revolutions”, também, no mesmo ano.
            Ademais, em 1991, no Brasil, o romance foi lançado pela “Editora Aleph”. Trazendo a concepção tecnológica do “Universo” de Gibson para a língua portuguesa. Um “Universo” mascarado pela metafórica égide de um conceito que foi anglicizado pelo nome de “Cyberpunk”. Posto que, nele, o “Plano Astral” é representado pela “Matrix”; enquanto a cidade de “Chiba” equivale a um aspecto decadente do “Plano Material”. Como uma versão pós-moderna da “Rua Santa Efigênia”. Onde, por um aprazível preço, se tem acesso ao que há de mais sofisticado.
            Todavia, em estado mundano, o humano é definido por Samael Aun Weor como uma “máquina adormecida”. Atado a um estágio em que, como, certa vez, exemplificou Rav Ashlag, seus desejos não se diferem dos de outros animais. O que, na cisão entre fracos e fortes, gerou o termo “massa de manobra”. Que discrimina um adestramento coletivo. Em que se faz o escambo entre uma ação e um agrado.
            Fomentando uma confusa fusão entre “ideal” e “sonho”. Ao se injetar na solidez da ideia as fraquezas concernentes à instabilidade dos devaneios psíquicos que peregrinam pelo pensamento de quem dorme.
            Logo, a “Matéria” se torna o asilo de entidades que abdicam da polivalência de uma existência alienígena em prol da ambivalência terrena.
            Doravante, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, que, em 1864, foi escrito por Allan Kardec, há uma análise da frase seguinte: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”. Um período atribuído à “Fábula de Cristo”. E que trata do que Kardec nomina de “Diferentes Estados da Alma na Erraticidade”. Cuja conclusão é a de que a “casa de Deus” é o “Universo”. Não havendo, por tanto, meios para se afastar ou se afeiçoar à Divindade. Mas sim, de vibrar em uma frequência que permita o acesso a outras “dependências” do cosmo.
            Por isso é que Case – o protagonista da trama – atua como uma espécie de “médium ‘high tech’”. Abrindo os portais do “Ciberespaço”. E, assim, captando experiências que tendem a fortalecer àquele que se disponha a assimilá-las, e sobreviver com mais conforto. Para, então, ascender a outro nível de existência. Não se condenando a reiniciar tudo a toda vez que o jogo gora. Como o prisioneiro de um perpétuo pesadelo.






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quarta-feira, 9 de março de 2016

Coluna Rio Sanzu: ASCENDENDO À LUZ (Versão 001)

            A ideia de revolução foi tão afetada durante o transcurso da história, que se desprendeu de seu caráter etimológico. Posto que, nesse interim, simplesmente, passou-se a ignorar o prefixo “re” – referente ao ato de ir para trás – e, consequentemente, todo o restante do vocábulo. Que, no seu sentido literal, consiste em regressar ao ponto zero e dar início a uma nova evolução.
            O que, na prática, não se resolve com uma mera mudança de linguagem. E sim, com uma assimilação de novos códigos, que levem o cidadão a uma autossuficiência existencial.
            Sendo que, para tal, no livro “O Ponto de Partida da Felicidade”, que foi publicado em 2000, o Mestre Ryuho Okawa, seu autor, trata das diretrizes da revolução pessoal. Que induzem o leitor a retroceder ao exato momento da concepção e extirpar os monstros que foram agregados ao seu inconsciente, durante o correr da vida, ao instigá-lo a estabelecer como referência os momentos de graça; e não, de desgraça.
            E, assim, com uma mente organizada, tornar a vida mais agradável.
            Como é observado na canção “Um Messias Indeciso”, do álbum “Metrô Linha 743”, de 1984. Em que, no tema de autoria de Raul e Kika Seixas, são narradas as peripécias de um ungido. Que, ao ser inquirido quanto ao segredo da vida, responde: “Destino é a gente que faz / Quem faz o destino é a gente / Na mente de quem for capaz”.
            Estipulando, assim, que o ensejo para se dominar os desejos está em estabelecer uma harmonia entre os planos astral e material.
            Por fim, despertando o conceito de transcendência.
            Que é destrinchado pelo filósofo Olavo de Carvalho no artigo “Meditação e Consciência”, que publicado foi no jornal “Diário do Comércio”, em 29 de setembro de 2014. Quando ele diz que: “Por atividade espiritual entendo a meditação solitária em que a consciência toma posse de si mesma como autocriação e liberdade que luta para realizar-se no mundo espaçotemporal e aí encontra, ao mesmo tempo, seus obstáculos e instrumentos”.
            A qual, então, se concretizará naquilo que outrora Claudio Coutinho, durante o seu período como técnico de futebol, chamou de “ponto futuro” – que, no caso, se trata do lugar em que o jogador e a bola, então, alçada por outro, se encontram, no desfecho de uma jogada.
            Pois, no momento em que o tempo se cruza com o espaço, se dá vazão ao evento.
            Desenhando-se, desse modo, o mapa do universo.
            Como ocorre quando se atravessa a hora zero do dia primeiro de janeiro com a cidade de Santos. E se conclui que, em virtude dos festejos inerentes à virada de ano, acontecerá uma queima de fogos de artifício na praia.
            O que, até a sua realização, não passará de uma abstração.
            De uma manifestação de fé.
            Como consta em Hebreus 11:1: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”.
            E, a partir daí, seguir não para a criação de uma realidade alternativa. Mas para o ponto em que se oferece uma alternativa à realidade.
            O que vingará assim que se entender que o universo funciona por meio de um moto-contínuo energético.
            Dado que, desde a hora zero, se recebe energia de modo direto e indireto. E, assim, deve-se passá-la para frente, com o fim de que não se estagne.
            Por meio do que o Mestre Okawa chama de “amor que se dá” o fazendo.
            O que, de forma direta, se perpetra ao elevar a qualidade de vida. Buscando a eficiência e a excelência nos campos das relações pessoal e profissional.
            Enquanto que a via indireta é o ponto de partida para as grandes transformações. Já que é o meio em que não se incorre no risco de desperdiçá-la, ao se confrontar com o livre arbítrio alheio.
            Assim, se alcançando os limites do que consta no livro “Valores, Prosperidade e o Talmud”, de 2003. Em que Larry Kahaner, seu autor, os salienta ao transcrever a seguinte máxima do Rabi Elazar ben Azaryah: “Onde não há dinheiro, não há aprendizado”. Prosseguindo, ao escrever: “... se as pessoas não estão de barriga cheia, não podem estudar, crescer espiritualmente e praticar boas ações...” E finaliza com : “... o objetivo último do dinheiro é tornar a comunidade mais próspera, fornecer empregos e permitir às pessoas crescer e atingir todo o seu potencial”.
            Chegando, então, à outra questão que o Mestre Okawa levanta: “Qual é a intensidade da luz que você emite?”
            Ao que, involuntariamente, Steve Jobs respondeu, em 2005, durante uma palestra que proferiu na Universidade de Stanford, na Califórnia. Em que se relembrou do curso de caligrafia que frequentou na Reed College, em Portland, no Oregon, dizendo: “Eu aprendi sobre caracteres com e sem serifa, sobre a variação de espaço entre diferentes combinações de letras...” Para, depois, explicar sobre como esse conhecimento veio a intervir no futuro seu e da humanidade, ao proferir: “Se eu nunca tivesse entrado naquele simples curso da faculdade, o Mac nunca teria múltiplos tamanhos de letra ou fontes proporcionalmente espaçadas. E já que o Windows copiou o Mac, provavelmente, nenhum computador pessoal teria”.










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